Saí de Ramos querendo chegar até Olaria passando pela orla da Baía. Simples. Eram uns quatro...
Saí de Ramos querendo chegar até Olaria passando pela orla da Baía. Simples. Eram uns quatro...
Saí pela Cinelândia com a intenção de subir até Santa Teresa e voltar pela Lapa. Simples assim, no...
Saí pela saída de trás da Central, a que dá para a Rua Senador Pompeu, porque achei que era mais...
Saí do Largo do Machado com um plano razoável: subir até Santa Teresa pela Rua Aprazível,...
Saí da estação do Méier com a intenção de ir até a Rua Aristides Caire, que tinha marcado no...
Saí de Largo do Machado às nove e pouco, com a intenção vaga de subir até Santa Teresa por alguma das escadarias que tenho marcado há meses no caderno e nunca de fato visitei. Na esquina desceu um ônibus na minha frente — o 572, indo na direção errada — o que seria um sinal claro, se eu soubesse ler sinais.
A escadaria do Morro dos Cabritos começa bem: calçada larga, sombra de árvore. Vai ficando mais inclinada do que parece do início, e a cidade vai sumindo para trás em pedaços. Parei num patamar onde uma parede de reboco descascado mostrava três camadas de cor: um azul antigo embaixo de um amarelo ainda mais antigo, e em cima tudo um branco que estava cedendo pelas bordas. Alguém nessa família de paredes tomou muitas decisões ao longo de muito tempo. Fiquei olhando tempo demais, sem conseguir explicar por quê, e depois continuei.
Cheguei ao Largo dos Guimarães com as pernas já ensaiando reclamações educadas. Entrei num botequim sem nome visível — ou tinha nome e eu simplesmente não vi — e pedi um café. Veio num copo pequeno de vidro, forte e já adoçado, que é exatamente como eu não gosto. Não disse nada porque o balcão estava cheio e o barulho era bom e às vezes a situação decide por você. Tomei em dois goles.
Decidi voltar por Cosme Velho para ver o bondinho de perto, que é uma dessas coisas que se adia sem razão aparente. Errei o caminho duas vezes no descaminho: a primeira rua que parecia correta descia errada; a segunda rua que parecia errada era a certa. Cheguei ao ponto do bonde com os joelhos numa posição filosófica sobre o que é longe e o que é perto, e com a sensação de ter percorrido uma rota que um mapa mais atento teria resolvido em vinte minutos.
No ônibus de volta, escrevi no caderno: a parede azul embaixo do amarelo embaixo do branco. Não sei ainda o que faço com isso, mas parece do tipo de coisa que vale guardar.
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