Saí pelo ramal de Deodoro às dez da manhã, desci no Engenho de Dentro com a intenção clara de chegar a pé até o Méier. No papel parecia simples. No Google Maps também. Na prática, fui direto para a saída errada da estação e me vi numa rua que não estava no meu roteiro, olhando para um viaduto que, se não me engano, nem tem nome em nenhuma placa visível dali. Anotei "viaduto sem nome, lado sul" no caderno e decidi que era um começo razoável para a quinta-feira.
A caminhada me levou pela Rua Carolina Machado, que tem esse peso de avenida sem ser larga o suficiente para merecer o nome. Numa esquina antes da feira, havia uma farmácia antiga com fachada de azulejo branco e letras em relevo verde-escuro, já descascadas pela metade. O nome original sumiu, ou talvez seja o nome atual que está escondido atrás da tinta nova aplicada por cima. Fiquei parado ali mais tempo do que o razoável tentando ler o que havia debaixo de tudo aquilo. Não descobri nada conclusivo.
Na feira, que já dava sinais claros de cansaço — bancas pela metade, caixotes empilhados, a lona de uma barraca enrolada no chão como quem foi embora antes da conta — parei numa quitanda e pedi água de coco. A mulher me entregou uma laranja. Não me lembro de ter pedido laranja, mas aceitei sem discutir porque ela já estava de costas atendendo outra pessoa. Custou dois reais. A laranja estava boa, ligeiramente ácida, do jeito que eu gosto quando estou com sede.