Saí de Ramos querendo chegar até Olaria passando pela orla da Baía. Simples. Eram uns quatro quilômetros no mapa — o mapa, é claro, não contou as duas vezes que tomei a rua errada nem o desvio de quinze minutos porque achei que a travessa à esquerda parecia mais interessante. Não era. Acabei numa rua sem saída atrás de um galpão que cheirava a verniz e óleo, o que não é necessariamente ruim, mas também não era Olaria.
O que me deteve mais tempo foi uma parede na Rua Uranos, um pouco depois da curva: uma persiana de ferro pintada de azul — um azul que já foi vibrante e agora é a versão cansada de si mesmo, quase cinza só na borda — e no centro, em letras brancas vazadas, a palavra CONSERTOS. Só isso. Nenhum horário, nenhum contato. Parece que quem precisava de conserto já sabia onde bater.
Parei num botequim sem placa visível lá pelo meio do caminho, pedi um café e um pão na chapa. O café chegou quente, o pão chegou murcho, mas o balcão tinha aquela altura boa que deixa a gente apoiar o cotovelo no ângulo exato. Tomei o café em três goles. Paguei cinco reais e meio, que me pareceu certo para aquele balcão e para aquele café.