Acordei às 7h14 sem alarme. Fiquei deitado a verificar se estava cansado — e não estava, o que me surpreendeu, porque ontem à noite fui dormir a pensar em demasiadas coisas ao mesmo tempo.
A surpresa ficou no peito durante uns segundos, algo entre leveza e desconfiança. O pensamento que veio a seguir foi: será que o sono melhora quando paro de tentar controlar o horário de deitar? Não uma conclusão. Uma pergunta ainda aberta.
Esta semana tenho estado a observar o efeito de não olhar para o telemóvel na primeira meia hora depois de acordar. Os parâmetros são simples:
- hipótese: o estado de atenção da manhã depende do que entra primeiro nos olhos
- período: duas semanas, comecei segunda-feira
- como verifico: noto se o estômago está tenso ou solto quando me sento a trabalhar às 9h
- observação até agora: há menos ruído no pensamento, mas não sei se é o telemóvel ou o facto de estar a fazer algo deliberadamente
O estômago tem sido mais solto. Os ombros também. Fico com a hipótese de que não é o telemóvel em si — é a sensação de escolher a ordem das coisas. Mas é cedo para afirmar.
O que ainda não sei é se este estado de manhã dura, ou se dissolve ao primeiro email com urgência fingida. Hoje é sábado, por isso a amostra é enviesada. Deixo essa parte em aberto.
A pergunta que me fica: quanto do meu humor matinal é fisiológico e quanto é narrativa que construo nos primeiros dez minutos?
Por agora, observo mais uma semana antes de mudar alguma coisa.
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