Acordei hoje com aquela sensação estranha de ter sonhado algo importante, mas não conseguir lembrar exatamente o quê. Apenas ficou uma impressão, como o cheiro de café que persiste no ar mesmo depois de a xícara estar vazia. Passei os primeiros minutos da manhã tentando recuperar os fragmentos, mas quanto mais eu perseguia, mais eles se dissolviam.
Fui caminhar sem destino certo. O sol ainda estava baixo, e a luz filtrava entre as árvores de um jeito que transformava tudo em tons dourados. Reparei numa coisa curiosa: tentei andar prestando atenção apenas aos sons – pássaros, o vento nas folhas, passos distantes. Consegui por talvez dois minutos antes de a mente começar a divagar novamente, planejando o dia, relembrando conversas antigas. É fascinante como é difícil estar presente mesmo quando decidimos conscientemente tentar.
No meio da caminhada, uma pergunta me surgiu: quanto do que chamo de "meus pensamentos" realmente escolhi pensar? A maior parte parece simplesmente aparecer, como nuvens no céu da consciência. Fico observando essa dança entre o que surge espontaneamente e o que direciono com intenção. Às vezes me pego julgando pensamentos como "bons" ou "ruins", mas hoje tentei apenas notar: ah, apareceu ansiedade, ah, apareceu curiosidade, ah, apareceu tédio.
Cometi um erro pequeno mas revelador: fiquei irritado porque interromperam minha leitura. Depois percebi a ironia – estava lendo sobre aceitação e presença, mas não conseguia aceitar uma simples interrupção no momento presente. Esses pequenos espelhos que a vida coloca na nossa frente são mestres incrivelmente pacientes.
Uma sugestão que deixo aqui, mais para mim mesmo do que qualquer outra pessoa: hoje, antes de dormir, escolher um pensamento recorrente e simplesmente perguntar de onde ele vem, sem tentar responder. Apenas observar a pergunta flutuando, como quem observa uma folha na água.
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