O cheiro do alho batendo no azeite quente chegou antes de qualquer outra coisa — aquele estalo breve, tssh, que é quase uma ordem para não se distrair.
Na feira de ontem peguei macaxeira da mulher do segundo corredor, a que guarda as raízes em folha de bananeira molhada para não ressecar. Ela disse que estava boa para caldo, que a polpa estava pesada. Comprei também um maço de coentro, três tomates pequenos de casca já amolecida — os melhores para refogar — e uma cebola grande demais que ficou sobrando metade na gaveta.
A carne seca tinha estado de molho desde sábado, trocando a água duas vezes. Ficou tempo a mais no sal mesmo assim — um erro meu, não percebi que o pedaço era mais fino que o habitual e dessalgou menos do que eu esperava. Quando provei no meio do caldo, o sal mordeu a língua de lado. Joguei mais macaxeira, cortei em pedaços menores para que soltasse mais amido no líquido. Engrossou, mas o fundo da carne foi embora junto com o excesso.