O alho bateu no azeite quente antes que eu chegasse ao fogão. O cheiro subiu rápido, agressivo, e eu tive que baixar o fogo de uma vez — já estava passando do ponto que queria, caminhando para o amargo.
Decidi fazer um caldo de legumes pra usar o jerimum que comprei na feira no sábado. O feirante disse que era da roça dele mesmo, no agreste, e a casca estava tão firme que levei dois golpes de faca pra abrir. Cortei em pedaços irregulares — minha faca boa num dia assim faz diferença — e joguei na panela com o refogado que ainda cheirava a alho mais escuro do que eu queria.
Coloquei sal antes de provar. Esse é um erro que cometo quando estou distraída e pensando em outra coisa. O caldo ficou pesado, salgado num registro que tapava o adocicado natural do jerimum. Tentei corrigir com um pouco mais d'água e uns pedaços de batata do saco embaixo da pia, que absorvem bem o excesso. Demorou uns vinte minutos, mas o sal baixou, e a batata ficou mole, quase se desfazendo, o que acabou engrossando o caldo de um jeito que eu não tinha planejado — mas funcionou.