O cheiro de coentro picado ainda estava no ar quando o peixeiro fechou a caixinha de isopor. Ele tinha chegado cedo, antes das oito, com uma bandeja de xaréu que os barcos trouxeram na madrugada. Comprei quatro postas sem pechinchar — não estava com cabeça pra isso.
Em casa, o alho bateu no dendê e a cozinha ficou pequena de repente. Esse som seco, depois o chiado úmido quando juntei o tomate, sempre me lembra a casa da minha avó em Caruaru, onde o fogão de lenha ficava aceso desde o meio da manhã e o calor da madeira amornava até o corredor.
Coloquei o xaréu na panela com pimenta-do-reino, sal, e limão da horta da vizinha Doralice — ela trouxe meia dúzia na manhã. O erro foi o fogo. Deixei alto demais nos primeiros minutos e a casca de um lado virou crosta antes de eu perceber. Tirei com cuidado, virei, baixei o fogo. O que pensei que estava arruinado ficou com uma textura que esfarela levemente na borda mas amacia no meio, quase como se tivesse cozido no vapor.