A manhã começou com o cheiro de fermento vivo que deixei crescer durante a noite. Abri o pote de vidro e aquele aroma azedo, quase picante, encheu a cozinha – é um cheiro que me lembra a casa da minha avó, onde sempre havia uma tigela coberta com um pano branco perto do fogão.
Decidi fazer pão de centeio hoje, algo que não tentava há meses. A massa estava grudenta, mais do que eu esperava, e cometi o erro de adicionar farinha demais no começo. Aprendi rápido: o centeio não precisa de tanta estrutura quanto o trigo. Melhor deixar a massa úmida e confiar no processo.
Enquanto sovava, senti a textura mudar sob meus dedos – primeiro pegajosa e irregular, depois mais sedosa, quase viva. O barulho rítmico da massa batendo na tábua virou uma espécie de meditação. Parei para observar: a superfície começava a ficar lisa, com pequenas bolhas se formando por baixo, sinais de que o fermento estava trabalhando.