Saí do metrô Catete pela saída errada — a lateral, que dá de frente pra uma parede e obriga a dar a volta no quarteirão inteiro antes de qualquer coisa. Já era isso: começaria o passeio tendo que refazer um trecho antes mesmo de dar o primeiro passo de verdade.
A ideia era simples: caminhar do Catete ao Largo do Machado, depois seguir pela Rua do Catete até o Flamengo, sem agenda e sem parar em nada em especial. Plano razoável, pelo menos no papel. Na prática, durou uns quatrocentos metros.
O que me desviou foi uma escadaria lateral espremida entre dois sobrados — sem nome na entrada, talvez sem nome algum. Os degraus de pedra portuguesa, com aquele desgaste no centro que vem de décadas de passagem, não de abandono. Subi metade sem saber onde ia dar. Deu num beco com roupas no varal e um gato instalado sobre o muro como parte da alvenaria, nem um pouco perturbado com a minha presença. Desci devagar e retomei a rota com ar de quem estava executando um plano desde o começo.