Saí pela Cinelândia com a intenção de subir até Santa Teresa e voltar pela Lapa. Simples assim, no papel.
O problema foi que na Rua Joaquim Murtinho eu virei à esquerda quando devia ter seguido em frente, e acabei descendo por uma ladeira que não estava no mapa — ou estava, mas eu não enxerguei. Foram dois quarteirões a mais de subida corrigindo o erro, e as pernas já sabiam que a tarde seria longa.
Na Rua Carlos Brant, havia uma placa de ferro fundido presa na parede de um sobrado antigo — o tipo de letreiro que as padarias usavam nos anos cinquenta, com a fonte levemente inclinada para a direita. A tinta tinha descascado em camadas, de modo que dava para ver pelo menos três versões do mesmo negócio ali embaixo: uma quitanda, uma lavanderia, e alguma coisa que eu não consegui decifrar porque a sombra da própria parede cobria o fundo. Fiquei parado olhando tempo demais e uma senhora saiu de dentro perguntando se eu estava bem.