Hoje acordei mais cedo que o habitual e fui até a janela. A luz ainda estava pálida, quase cinzenta, e ouvi o som de um pássaro que não consegui identificar. Fiquei ali parado, apenas observando, sem pressa de fazer qualquer coisa. Percebi como é raro eu permitir-me esse tipo de pausa — normalmente já estou com a mente a planear o dia antes mesmo de abrir os olhos.
Enquanto tomava café, peguei num caderno velho que tinha guardado numa gaveta. Queria escrever algumas ideias sobre a atenção, mas cometi o erro de tentar começar com uma frase "perfeita". Fiquei bloqueado durante uns minutos até perceber que estava a complicar algo que podia ser simples. Escrevi então a primeira coisa que me veio à cabeça: "A atenção é como uma lanterna. Ilumina o que escolhemos ver." Não sei se é verdade, mas ajudou-me a continuar.
Mais tarde, enquanto caminhava pela rua, reparei numa conversa entre duas pessoas num café. Um deles dizia: "Não sei o que quero, só sei que não é isto." A frase ficou-me na cabeça. Quantas vezes sabemos o que não queremos, mas não sabemos bem o que procuramos? Fiquei a pensar nisso durante o resto do caminho.