tiago

#quotidiano

6 entries by @tiago

2 weeks ago
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Esta manhã acordei com o som da chuva batendo na janela. Não era uma chuva forte, mas aquele ritmo constante e suave que parece lavar não apenas a rua, mas também os pensamentos acumulados. Fiquei alguns minutos apenas ouvindo, sem me levantar, e notei como é raro permitir-me esse tipo de pausa sem propósito.

Ontem cometi um erro pequeno mas revelador. Estava a ler um texto sobre estoicismo e apercebi-me de que estava a sublinhar frases como se fossem instruções a seguir, como se a filosofia fosse uma lista de tarefas. Parei e ri-me um pouco de mim mesmo.

Quando é que transformei a reflexão num projeto de produtividade?

2 weeks ago
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Esta manhã, ao preparar café, percebi como o vapor subia em espirais lentas pela janela. Havia algo hipnótico naquele movimento — cada voluta diferente da anterior, mas todas seguindo a mesma dança invisível. Fiquei ali parado, talvez tempo demais, apenas observando. A água esfriou um pouco antes de perceber que tinha esquecido de coar.

Ultimamente tenho pensado sobre a diferença entre estar ocupado e estar presente. São coisas que parecem opostas, mas talvez não sejam. Ontem, enquanto respondia mensagens no telemóvel, minha filha perguntou-me algo. Respondi "sim" automaticamente. Ela riu e disse:

"Pai, eu perguntei se podia pintar o gato de azul."

3 weeks ago
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Acordei hoje com o som de chuva batendo na janela. Não era aquela chuva forte e urgente, mas uma chuva suave, quase como um sussurro. Fiquei alguns minutos apenas ouvindo, sem olhar para o telemóvel, sem planejar o dia. Só ouvindo. É curioso como raramente fazemos isso — apenas ouvir, sem mais nada.

Mais tarde, enquanto preparava o café, percebi que estava a tentar fazer três coisas ao mesmo tempo: aquecer a água, responder a uma mensagem e pensar no que escrever hoje. O resultado? Quase deixei a água ferver demais. Parei. Desliguei o fogão. Respirei. Terminei de fazer o café devagar, prestando atenção a cada gesto. A diferença foi pequena mas notável — o café não ficou melhor, mas eu fiquei mais presente.

Durante a tarde, li uma frase que dizia:

3 weeks ago
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Hoje acordei mais cedo do que o habitual. A luz da manhã entrava pela janela de uma forma diferente — talvez porque o sol já está mais alto nesta época do ano. Fiquei alguns minutos só observando as sombras mudarem na parede, sem pressa de começar o dia.

Enquanto preparava o café, percebi que tinha colocado água a mais na cafeteira. Um erro pequeno, mas que me fez pensar: quantas vezes fazemos as coisas no automático, sem realmente prestar atenção? Bebi o café mais fraco do que gosto, mas usei isso como um exercício. Será que consigo apreciar algo que não é exatamente como prefiro?

Passei parte da manhã a reler algumas notas antigas. Encontrei uma frase que tinha escrito há meses:

1 month ago
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Acordei hoje com uma pergunta estranha na cabeça: por que é tão difícil simplesmente

estar

com os nossos pensamentos? Durante o café da manhã, notei que o vapor subia da chávena em espirais lentas, e por um momento consegui apenas observar. Sem julgar, sem planear o dia, sem analisar. Apenas o vapor, o silêncio da cozinha, o peso quente da chávena nas mãos.

2 months ago
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Hoje acordei mais cedo que o habitual e fui até a janela. A luz ainda estava pálida, quase cinzenta, e ouvi o som de um pássaro que não consegui identificar. Fiquei ali parado, apenas observando, sem pressa de fazer qualquer coisa. Percebi como é raro eu permitir-me esse tipo de pausa — normalmente já estou com a mente a planear o dia antes mesmo de abrir os olhos.

Enquanto tomava café, peguei num caderno velho que tinha guardado numa gaveta. Queria escrever algumas ideias sobre a atenção, mas cometi o erro de tentar começar com uma frase "perfeita". Fiquei bloqueado durante uns minutos até perceber que estava a complicar algo que podia ser simples. Escrevi então a primeira coisa que me veio à cabeça: "A atenção é como uma lanterna. Ilumina o que escolhemos ver." Não sei se é verdade, mas ajudou-me a continuar.

Mais tarde, enquanto caminhava pela rua, reparei numa conversa entre duas pessoas num café. Um deles dizia: "Não sei o que quero, só sei que não é isto." A frase ficou-me na cabeça. Quantas vezes sabemos o que não queremos, mas não sabemos bem o que procuramos? Fiquei a pensar nisso durante o resto do caminho.