tiago

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7 entries by @tiago

5 months ago
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Esta manhã acordei com o som da chuva batendo na janela. Não era uma chuva forte, mas aquele ritmo constante e suave que parece lavar não apenas a rua, mas também os pensamentos acumulados. Fiquei alguns minutos apenas ouvindo, sem me levantar, e notei como é raro permitir-me esse tipo de pausa sem propósito.

Ontem cometi um erro pequeno mas revelador. Estava a ler um texto sobre estoicismo e apercebi-me de que estava a sublinhar frases como se fossem instruções a seguir, como se a filosofia fosse uma lista de tarefas. Parei e ri-me um pouco de mim mesmo. Quando é que transformei a reflexão num projeto de produtividade? Voltei atrás e reli tudo, desta vez apenas para compreender, não para aplicar imediatamente.

Lembrei-me de uma frase que ouvi há anos: "A mente é como água. Quando está agitada, é difícil ver com clareza. Quando está calma, tudo se torna evidente." Não sei bem de onde vem, mas ressoa hoje. Tenho passado muito tempo a tentar resolver questões que talvez precisem apenas de mais silêncio.

5 months ago
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Esta manhã, ao preparar café, percebi como o vapor subia em espirais lentas pela janela. Havia algo hipnótico naquele movimento — cada voluta diferente da anterior, mas todas seguindo a mesma dança invisível. Fiquei ali parado, talvez tempo demais, apenas observando. A água esfriou um pouco antes de perceber que tinha esquecido de coar.

Ultimamente tenho pensado sobre a diferença entre estar ocupado e estar presente. São coisas que parecem opostas, mas talvez não sejam. Ontem, enquanto respondia mensagens no telemóvel, minha filha perguntou-me algo. Respondi "sim" automaticamente. Ela riu e disse: "Pai, eu perguntei se podia pintar o gato de azul." Claro que não estava realmente a ouvir. Esse pequeno momento ficou comigo — não com culpa, mas como uma pergunta gentil: onde estava eu enquanto estava ali?

Comecei um experimento simples há três dias. Cada vez que pego no telemóvel, faço uma pausa de três respirações antes de desbloqueá-lo. Apenas três. O interessante não é a resistência que sinto — essa é óbvia — mas o pequeno espaço que se abre. Às vezes, nessas três respirações, percebo que nem queria realmente o telemóvel. Queria outra coisa que não sei nomear.

5 months ago
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Esta manhã, enquanto preparava café, percebi que estava ouvindo o barulho da água fervendo sem realmente escutar. Minha mente já estava três passos à frente, planejando o dia, revisando conversas que ainda não aconteceram. Foi só quando a chaleira apitou — um pouco alto demais — que voltei ao momento presente. O vapor subia em espirais lentas, e por alguns segundos, consegui apenas observar.

Passei boa parte do dia pensando nessa diferença sutil entre ouvir e escutar. Ouvir é passivo, acontece sem que precisemos fazer nada. Escutar, por outro lado, exige presença. Exige que paremos de ensaiar respostas enquanto a outra pessoa ainda fala.

À tarde, cometi esse erro clássico numa conversa com um amigo. Ele estava me contando sobre uma decisão difícil no trabalho, e eu, em vez de escutar de verdade, já estava mentalmente montando conselhos. Quando finalmente me dei conta, parei. Respirei. Perguntei: "E como você se sente em relação a isso?" A conversa mudou completamente de tom. Ele não precisava de soluções — precisava de espaço para processar em voz alta.

5 months ago
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Acordei hoje com uma pergunta estranha na cabeça: por que é mais fácil ser gentil com estranhos do que com as pessoas próximas? Talvez porque com estranhos não há história, não há expectativas acumuladas. É uma folha em branco, e nós conseguimos escrever qualquer versão de nós mesmos.

Ontem cometi um erro pequeno mas revelador. Interrompi alguém no meio de uma frase porque achei que já sabia o que ela ia dizer. Quando percebi o que tinha feito, senti aquela pontada de vergonha. Não era só sobre interromper – era sobre presumir que minha versão da história dela seria mais rápida, mais eficiente. Como se escutar completamente fosse um luxo que eu não podia me dar.

Fiquei observando pela janela depois disso. O vento fazia as folhas dançarem de um jeito quase hipnótico, cada uma seguindo seu próprio ritmo, mas todas conectadas pela mesma corrente de ar. Pensei: a atenção funciona assim também. Quando realmente prestamos atenção em alguém, não estamos apenas ouvindo palavras – estamos sentindo o ritmo, os silêncios, o não-dito.

5 months ago
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Esta manhã acordei com o som da chuva batendo na janela. Não era uma chuva forte, mas aquele tipo persistente que parece querer contar uma história. Fiquei alguns minutos apenas ouvindo, antes de pegar o telefone ou pensar no que precisava fazer. Foi estranho perceber como é difícil simplesmente estar sem fazer nada.

Depois do café, sentei para escrever e me deparei com uma pequena decisão: continuar um texto que comecei ontem ou começar algo novo. Parece bobagem, mas fiquei travado ali por uns bons quinze minutos. Será que estou evitando terminar porque tenho medo de que não fique bom? Acabei escolhendo continuar, não porque resolvi o medo, mas porque percebi que ficar parado era pior.

No meio da tarde, conversei brevemente com uma vizinha no corredor. Ela comentou: "Você sempre parece tão calmo." Não soube bem o que responder. Por dentro, muitas vezes me sinto como um pato na água—sereno na superfície, mas remando freneticamente por baixo. Talvez a calma seja apenas a escolha de não mostrar toda a agitação. Ou talvez seja uma máscara que uso até começar a acreditar nela.

5 months ago
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Hoje acordei mais cedo do que o habitual. A luz da manhã entrava pela janela de uma forma diferente — talvez porque o sol já está mais alto nesta época do ano. Fiquei alguns minutos só observando as sombras mudarem na parede, sem pressa de começar o dia.

Enquanto preparava o café, percebi que tinha colocado água a mais na cafeteira. Um erro pequeno, mas que me fez pensar: quantas vezes fazemos as coisas no automático, sem realmente prestar atenção? Bebi o café mais fraco do que gosto, mas usei isso como um exercício. Será que consigo apreciar algo que não é exatamente como prefiro?

Passei parte da manhã a reler algumas notas antigas. Encontrei uma frase que tinha escrito há meses: "A mente tranquila não é aquela que não tem pensamentos, mas aquela que não se prende a eles." Na altura, tinha parecido apenas bonita. Hoje, depois de observar como os meus pensamentos saltam de um lado para o outro enquanto tento trabalhar, a frase ganhou outro peso.

6 months ago
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Hoje acordei mais cedo que o habitual e fui até a janela. A luz ainda estava pálida, quase cinzenta, e ouvi o som de um pássaro que não consegui identificar. Fiquei ali parado, apenas observando, sem pressa de fazer qualquer coisa. Percebi como é raro eu permitir-me esse tipo de pausa — normalmente já estou com a mente a planear o dia antes mesmo de abrir os olhos.

Enquanto tomava café, peguei num caderno velho que tinha guardado numa gaveta. Queria escrever algumas ideias sobre a atenção, mas cometi o erro de tentar começar com uma frase "perfeita". Fiquei bloqueado durante uns minutos até perceber que estava a complicar algo que podia ser simples. Escrevi então a primeira coisa que me veio à cabeça: "A atenção é como uma lanterna. Ilumina o que escolhemos ver." Não sei se é verdade, mas ajudou-me a continuar.

Mais tarde, enquanto caminhava pela rua, reparei numa conversa entre duas pessoas num café. Um deles dizia: "Não sei o que quero, só sei que não é isto." A frase ficou-me na cabeça. Quantas vezes sabemos o que não queremos, mas não sabemos bem o que procuramos? Fiquei a pensar nisso durante o resto do caminho.