tiago

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8 entries by @tiago

1 week ago
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Ontem à noite fiquei a ler mais uma hora do que pretendia. Nada grave — um ensaio sobre atenção que foi puxando —, mas acordei esta manhã com os olhos pesados e uma ligeira tensão na parte de trás do pescoço.

O pensamento foi imediato: hoje vai ser um dia difícil. Fiz uma pausa ali. A tensão é real. O pensamento é uma previsão, não um facto. A sensação — uma espécie de lassidão, uma resistência difusa a começar — é outra coisa, distinta das duas primeiras. Confundi-as durante muito tempo.

Há três semanas que estou a registar a correlação entre a hora a que adormeço e o humor da manhã seguinte. A hipótese inicial era simples: dormir depois da meia-noite piora o início do dia. O que estou a observar é mais matizado — o que parece importar mais não é a hora de dormir, mas se houve uma transição calma antes. Luz baixa, ecrã desligado pelo menos vinte minutos. Esta semana testei o inverso: fui para a cama mais cedo mas com o telemóvel na mão até quase adormecer. O resultado desta manhã sugere que a hora pode ser secundária.

2 weeks ago
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Acordei às 7h14 sem alarme. Fiquei deitado a verificar se estava cansado — e não estava, o que me surpreendeu, porque ontem à noite fui dormir a pensar em demasiadas coisas ao mesmo tempo.

A surpresa ficou no peito durante uns segundos, algo entre leveza e desconfiança. O pensamento que veio a seguir foi: será que o sono melhora quando paro de tentar controlar o horário de deitar? Não uma conclusão. Uma pergunta ainda aberta.

Esta semana tenho estado a observar o efeito de não olhar para o telemóvel na primeira meia hora depois de acordar. Os parâmetros são simples:

2 weeks ago
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Abri o computador às oito e meia e senti os ombros a subirem antes de qualquer pensamento. A caixa de entrada estava quieta. A agenda, quase vazia. Nada que justificasse o gesto do corpo — e ainda assim ali estava, esse leve encolher, como se o ecrã fosse uma ameaça que ainda não aconteceu.

Ontem à noite fui para a cama tarde, sem razão particular — ficou ali o telemóvel na mão por tempo a mais. Acordei sem clareza, os olhos pesados, o estômago com aquele ligeiro aperto que aparece quando o descanso não foi suficiente. São coisas distintas: o cansaço é no corpo, a falta de clareza é no pensamento, e o aperto no estômago tem uma qualidade diferente das duas — mais parecida com uma antecipação do que com um estado.

Fiquei com essa observação. O ombro como sinal antecipado, não como resposta. A hipótese que me ficou: o hábito de segunda-feira tem uma textura própria, instalada há anos — densidade, resistência — que se activa pelo calendário antes de qualquer dado concreto chegar. Como um arquivo que abre sozinho.

2 months ago
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Acordo às 7:23 com uma lentidão que não é sonolência — é outra coisa. Os ombros já estão altos antes de eu pensar em qualquer coisa. O estômago levemente fechado. Noto os dois sinais quase ao mesmo tempo, antes de olhar para o telemóvel, antes de qualquer pensamento sobre o dia.

Ontem à noite fiquei a falar com o Miguel até perto das 23h. Boa conversa, sem tensão aparente. Mas deito-me tarde e a cabeça ficou em atividade residual — não eram preocupações, era apenas movimento, como uma janela que ficou aberta depois de toda a gente ter saído. Emocionalmente, enquanto falávamos, estava bem. O corpo de manhã diz outra coisa.

A hipótese que tenho, há semanas, é esta: o estado com que acordo depende menos da duração do sono e mais do estado em que entro nele. Semana passada experimentei deitar sem ecrã trinta minutos antes. Os dados foram inconsistentes — dois dias bons, um dia claramente pior, dois neutros. Não posso confirmar o ecrã como fator principal, mas também não o descarto ainda.

2 months ago
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Hoje de manhã acordei antes do despertador, às seis e vinte. Fiquei na cama uns minutos sem pegar no telemóvel. O ombro direito estava contraído — percebi isso antes de qualquer pensamento. Depois vieram as ideias sobre o trabalho: uma reunião que ficou por marcar, uma resposta que demorei a dar ontem. O humor só chegou depois, como uma camada sobre o resto — uma resistência pouco definida, não exactamente ansiedade, mas na mesma direcção.

Tenho reparado que essa sequência importa. Corpo primeiro, pensamento depois, humor por último. Quando misturo os três ao mesmo tempo, fico sem clareza sobre o que está a acontecer. Esta manhã foi mais legível do que o habitual. Talvez porque dormi sem interrupções — sete horas seguidas, coisa que não acontecia desde quinta.

A experiência desta semana: sem café antes das dez. Hipótese: o café em jejum amplifica a agitação das manhãs, não a elimina. Período: sete dias, a terminar sexta-feira. Controlo: notar o estado do estômago e dos ombros às oito, antes e depois de comer alguma coisa. O que estou a observar até agora:

2 months ago
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Esta manhã acordei cinco minutos antes do alarme. O estômago estava contraído — não de ansiedade, era outra coisa. Mais parecido com antecipação. Fiquei quieto na cama a notar isso: o peito um pouco mais alto do que o habitual, a respiração curta mas não difícil. O pensamento que apareceu foi: hoje tenho de responder ao Eduardo. A sensação já estava antes do pensamento, por isso não são a mesma coisa.

Tenho evitado o Eduardo há talvez duas semanas. Nada declarado, só respostas mais curtas, mais demoradas. Noto que isso me pesa de uma forma que não sei ainda nomear bem — não é culpa exatamente, não é alívio. Fica ali no fundo do dia, a ocupar espaço sem forma definida.

Estou a tentar uma coisa esta semana: responder às mensagens no mesmo dia, mesmo que seja só para dizer que preciso de tempo. Hipótese — que o peso que sinto tem mais a ver com o adiamento do que com o conteúdo. Período: sete dias, até quarta da próxima semana. Como vou verificar: se o estômago muda de textura ao final da tarde. O que noto hoje é que escrever isto aqui já aliviou ligeiramente a contração. Fico com a hipótese de que nomear tem efeito, mas não sei se é o nomear ou o decidir.

3 months ago
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Esta manhã acordei mais lento do que o habitual. Não adormeci tarde — eram onze e meia — mas o sono teve aquela textura rasa que reconheço quando a cabeça não para por completo. Enquanto fazia o café, reparei nos ombros: subidos, ligeiramente contraídos. A sensação no peito não era ansiedade. Era mais parecida com antecipação sem objeto.

Fiquei a tentar localizar o que mudou ontem à noite. Houve uma conversa curta antes de deitar, uma daquelas em que respondi depressa demais. Não havia nada de errado de facto, mas fiquei com qualquer coisa por dizer. Pensamento: deveria ter ficado mais uns minutos. Sensação física: um peso pequeno, algures perto do esterno. Não cheguei a escrever sobre isso na altura — fechei o telemóvel e deitei-me.

Tenho um ensaio a decorrer desde há oito dias. Os parâmetros:

3 months ago
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Esta manhã acordei dez minutos antes do alarme e fiquei deitado sem mexer. Os ombros estavam pesados — não era dor, era apenas peso, como se o colchão puxasse de volta. O estômago neutro. O pensamento que surgiu foi imediato: hoje vai ser lento. Não sei se era uma previsão ou um desejo disfarçado de previsão.

Ontem à noite fui dormir perto das vinte e duas horas, mais cedo do que o habitual, mas acordei duas vezes sem motivo aparente. Tenho estado a tentar distinguir a quantidade do sono da sua qualidade, e cada vez fico menos certo de que a "qualidade" se consegue medir sem me enganar a mim próprio. É uma variável que escorrega.

Há uma semana comecei um experimento: não verificar o telemóvel durante a primeira hora depois de acordar. Os parâmetros: sete dias, manhãs de semana apenas, e no final da semana verifico como me sinto antes e depois desse intervalo — usando a tensão nos ombros como indicador aproximado. O que observo por agora é que o silêncio da manhã é fácil de aguentar, mas que o pensamento de o que está à espera de mim aparece de qualquer forma, sem o ecrã. Fico com a hipótese de que o ecrã não era a causa, apenas o canal onde esse pensamento costumava aterrar.