Hoje pela manhã, enquanto esperava o café passar, observei pela janela as nuvens espessas se acumularem sobre a cidade. O ar tinha aquele cheiro úmido que antecede a chuva, e pensei em como os navegadores portugueses do século XV devem ter interpretado sinais semelhantes no céu do Atlântico, sem mapas meteorológicos ou previsões confiáveis.
Passei a tarde relendo trechos sobre a Batalha de Aljubarrota, aquele confronto decisivo de 1385 que consolidou a independência portuguesa de Castela. O que me fascina não são apenas os números — 6.500 portugueses contra 31.000 castelhanos — mas a estratégia de Nuno Álvares Pereira. Ele escolheu um terreno estreito, forçando o inimigo a lutar em condições desfavoráveis. Foi uma vitória da geografia tanto quanto da coragem.
Fiz uma pequena experiência hoje: tentei explicar essa batalha para uma amiga que não estuda história, usando apenas linguagem do dia a dia. Percebi como é difícil transmitir a tensão daquele momento sem recorrer a jargões acadêmicos. Ela me perguntou: