Acordei com a luz do domingo entrando pela janela da cozinha, aquele dourado preguiçoso que só aparece nos fins de semana. Decidi fazer pão de queijo do zero, sem seguir a receita da minha tia que sempre uso. Queria experimentar, sentir as proporções com as mãos.
A polvilha azeda deixou um cheiro levemente ácido no ar quando abri o pacote. Me lembrei da cozinha da minha avó em Minas, onde esse aroma se misturava com café fresco toda manhã. Ela nunca media nada, apenas sabia. Talvez eu também consiga, pensei.
Comecei a aquecer o leite com óleo e sal. O problema foi que me distraí olhando pela janela — um gato laranja passeava pelo muro — e quando voltei, a mistura estava fervendo demais. Queimei a língua provando o sal e, nervosa, acabei colocando além da conta. Erro de iniciante.