Acordei hoje com a luz do sol a entrar pela janela de uma forma diferente. Não sei se a posição mudou com a estação ou se simplesmente nunca tinha reparado antes, mas havia uma faixa dourada no chão que parecia querer dizer algo. Fiquei ali sentado, só a observar, e percebi como raramente paro assim. Sempre há algo a fazer, sempre há um próximo passo.
Tentei uma coisa simples esta manhã: antes de pegar no telefone, perguntei a mim mesmo "O que é que eu realmente preciso neste momento?" A resposta foi silêncio. Só isso. Cinco minutos de silêncio antes de começar o dia. Não foi meditação formal, não foi nada especial. Foi apenas estar ali, com a luz, com o som distante dos pássaros lá fora.
O engraçado é que cometi o erro habitual à tarde. Estava a ler um artigo sobre atenção plena e, sem dar por isso, já tinha três separadores abertos e a mente completamente dispersa. Ri-me de mim próprio. Como é que posso ler sobre estar presente se nem consigo ficar presente enquanto leio? Mas talvez seja precisamente esse o ponto. Não se trata de ser perfeito. Trata-se de reparar.