Acordei com os ombros tensos antes de abrir os olhos. Ainda deitado, reparo que a mandíbula está contraída. Não havia dormido mal — seis horas e meia, talvez sete — mas o corpo tinha essa qualidade específica de resistência, como se o dia já estivesse a custar antes de começar. O quarto estava silencioso. A luz de setembro entrava lateral, morna.
O primeiro pensamento claro foi: tenho muito para fazer esta semana. A sensação que acompanhou isso era algo próximo de ansiedade, mas mais frio e menos urgente, sem a qualidade de aperto que a ansiedade costuma ter no peito. Fiquei a distinguir as duas coisas por uns minutos sem me mexer. Queria ser preciso antes de etiquetar.
Esta semana comecei uma pequena experiência com os domingos: não verificar o telemóvel antes do pequeno-almoço. A hipótese é que o modo com que entro na primeira hora influencia o tom do resto do dia de forma desproporcional. Os parâmetros são: