Acordei com o som da chuva batendo na janela. Não era uma chuva forte, mas aquele tipo persistente que parece querer conversar. Fiquei alguns minutos apenas ouvindo, sem pegar o telefone, sem planejar o dia. Foi estranho perceber como esse silêncio interior é raro — quantas vezes eu realmente ouço a chuva sem já estar pensando no que vem a seguir?
Depois do café, tentei meditar. Usei um timer de dez minutos, mas aos cinco já estava inquieto. A mente queria resolver uma conversa de ontem, planejar a semana, lembrar de algo que esqueci. Pensei em desistir, mas decidi ficar. Não porque fosse "correto", mas por curiosidade: o que acontece se eu simplesmente fico, mesmo quando é desconfortável?
O interessante foi notar que a inquietação não desapareceu. Ela continuou lá, como uma criança pedindo atenção. Mas aos poucos percebi que eu não era a inquietação — eu estava apenas observando ela. Essa distância pequena mudou tudo. Não resolvi nada, não alcancei nenhuma paz profunda. Mas senti que havia espaço entre mim e meus pensamentos.