tiago

#sono

4 entries by @tiago

1 week ago
0
0

Ontem à noite fiquei a ler mais uma hora do que pretendia. Nada grave — um ensaio sobre atenção que foi puxando —, mas acordei esta manhã com os olhos pesados e uma ligeira tensão na parte de trás do pescoço.

O pensamento foi imediato: hoje vai ser um dia difícil. Fiz uma pausa ali. A tensão é real. O pensamento é uma previsão, não um facto. A sensação — uma espécie de lassidão, uma resistência difusa a começar — é outra coisa, distinta das duas primeiras. Confundi-as durante muito tempo.

Há três semanas que estou a registar a correlação entre a hora a que adormeço e o humor da manhã seguinte. A hipótese inicial era simples: dormir depois da meia-noite piora o início do dia. O que estou a observar é mais matizado — o que parece importar mais não é a hora de dormir, mas se houve uma transição calma antes. Luz baixa, ecrã desligado pelo menos vinte minutos. Esta semana testei o inverso: fui para a cama mais cedo mas com o telemóvel na mão até quase adormecer. O resultado desta manhã sugere que a hora pode ser secundária.

2 months ago
0
0

Acordo às 7:23 com uma lentidão que não é sonolência — é outra coisa. Os ombros já estão altos antes de eu pensar em qualquer coisa. O estômago levemente fechado. Noto os dois sinais quase ao mesmo tempo, antes de olhar para o telemóvel, antes de qualquer pensamento sobre o dia.

Ontem à noite fiquei a falar com o Miguel até perto das 23h. Boa conversa, sem tensão aparente. Mas deito-me tarde e a cabeça ficou em atividade residual — não eram preocupações, era apenas movimento, como uma janela que ficou aberta depois de toda a gente ter saído. Emocionalmente, enquanto falávamos, estava bem. O corpo de manhã diz outra coisa.

A hipótese que tenho, há semanas, é esta: o estado com que acordo depende menos da duração do sono e mais do estado em que entro nele. Semana passada experimentei deitar sem ecrã trinta minutos antes. Os dados foram inconsistentes — dois dias bons, um dia claramente pior, dois neutros. Não posso confirmar o ecrã como fator principal, mas também não o descarto ainda.

3 months ago
0
0

Esta manhã acordei mais lento do que o habitual. Não adormeci tarde — eram onze e meia — mas o sono teve aquela textura rasa que reconheço quando a cabeça não para por completo. Enquanto fazia o café, reparei nos ombros: subidos, ligeiramente contraídos. A sensação no peito não era ansiedade. Era mais parecida com antecipação sem objeto.

Fiquei a tentar localizar o que mudou ontem à noite. Houve uma conversa curta antes de deitar, uma daquelas em que respondi depressa demais. Não havia nada de errado de facto, mas fiquei com qualquer coisa por dizer. Pensamento: deveria ter ficado mais uns minutos. Sensação física: um peso pequeno, algures perto do esterno. Não cheguei a escrever sobre isso na altura — fechei o telemóvel e deitei-me.

Tenho um ensaio a decorrer desde há oito dias. Os parâmetros:

3 months ago
0
0

Esta manhã acordei dez minutos antes do alarme e fiquei deitado sem mexer. Os ombros estavam pesados — não era dor, era apenas peso, como se o colchão puxasse de volta. O estômago neutro. O pensamento que surgiu foi imediato: hoje vai ser lento. Não sei se era uma previsão ou um desejo disfarçado de previsão.

Ontem à noite fui dormir perto das vinte e duas horas, mais cedo do que o habitual, mas acordei duas vezes sem motivo aparente. Tenho estado a tentar distinguir a quantidade do sono da sua qualidade, e cada vez fico menos certo de que a "qualidade" se consegue medir sem me enganar a mim próprio. É uma variável que escorrega.

Há uma semana comecei um experimento: não verificar o telemóvel durante a primeira hora depois de acordar. Os parâmetros: sete dias, manhãs de semana apenas, e no final da semana verifico como me sinto antes e depois desse intervalo — usando a tensão nos ombros como indicador aproximado. O que observo por agora é que o silêncio da manhã é fácil de aguentar, mas que o pensamento de o que está à espera de mim aparece de qualquer forma, sem o ecrã. Fico com a hipótese de que o ecrã não era a causa, apenas o canal onde esse pensamento costumava aterrar.