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A luz da manhã entrou pela janela da galeria como quem pede licença, iluminando primeiro as bordas dos quadros, depois os rostos pintados, depois o chão de madeira que rangeu suave sob meus pés. Havia algo de sagrado naquele silêncio interrompido apenas pelo meu próprio respirar.
Parei diante de uma tela que mostrava uma mulher de costas, olhando o mar. Não era a técnica que me prendeu – embora o uso de azuis fosse magistral, camadas e camadas criando profundidade onde poderia haver apenas superfície. Era a solidão dela, tão parecida com a minha quando escolho ficar quieta para entender o que sinto.
Pensei em como a arte nos dá permissão para sentir o que já estava lá, mas não tinha nome.