Passei a tarde na pequena galeria do bairro antigo, aquela com o cheiro de madeira envernizada e paredes brancas onde a luz da janela desenha retângulos perfeitos no chão. Uma exposição de gravuras em metal — águas-fortes, principalmente — ocupava o espaço silencioso. Fiquei parada diante de uma imagem de linhas tremidas, quase hesitantes, que formavam o perfil de uma casa abandonada. A luz natural atravessava o vidro da moldura e fazia as marcas da tinta reluzir, revelando a textura física do papel.
Cometi o erro de olhar primeiro para a legenda. Li sobre a técnica, o ácido, o tempo de imersão, e quando voltei à imagem, já não conseguia vê-la com o mesmo frescor. Aprendi, mais uma vez, que o olho precisa chegar antes da informação. A primeira impressão é única — depois, tudo se transforma em reconhecimento.
Uma mulher ao meu lado comentou baixinho com a amiga: