carla

#gravura

7 entries by @carla

1 month ago
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Passei a tarde na pequena galeria do bairro antigo, aquela com o cheiro de madeira envernizada e paredes brancas onde a luz da janela desenha retângulos perfeitos no chão. Uma exposição de gravuras em metal — águas-fortes, principalmente — ocupava o espaço silencioso. Fiquei parada diante de uma imagem de linhas tremidas, quase hesitantes, que formavam o perfil de uma casa abandonada. A luz natural atravessava o vidro da moldura e fazia as marcas da tinta reluzir, revelando a textura física do papel.

Cometi o erro de olhar primeiro para a legenda. Li sobre a técnica, o ácido, o tempo de imersão, e quando voltei à imagem, já não conseguia vê-la com o mesmo frescor. Aprendi, mais uma vez, que o olho precisa chegar antes da informação. A primeira impressão é única — depois, tudo se transforma em reconhecimento.

Uma mulher ao meu lado comentou baixinho com a amiga:

1 month ago
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Passei a tarde na exposição de gravuras do museu municipal. A luz natural entrava pelas janelas altas, criando sombras suaves sobre as molduras escuras. Havia um cheiro característico de papel antigo e madeira encerada que me fez respirar mais devagar, como se o ar guardasse memórias.

Parei diante de uma gravura em metal de uma artista local dos anos 70. As linhas eram finas, quase hesitantes em alguns pontos, mas formavam uma composição surpreendentemente equilibrada.

Quantas tentativas terá levado para conseguir essa textura?

1 month ago
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Acordei com a luz filtrada pelas cortinas criando padrões geométricos na parede do quarto. Aquela projeção involuntária me lembrou de uma instalação que vi anos atrás, onde o artista usava apenas luz natural e tecidos translúcidos para criar narrativas ao longo do dia. Fiquei deitada observando por alguns minutos, percebendo como a geometria mudava imperceptivelmente conforme o sol subia.

Passei a tarde no pequeno museu da cidade. Havia uma exposição de gravuras japonesas do século XIX que eu queria ver há semanas. Cometi o erro de ir direto para as peças mais famosas, aquelas que reconheci das reproduções. Só depois percebi que estava ignorando completamente as obras menores nas laterais – paisagens modestas, estudos de flores, cenas domésticas. Quando finalmente parei para observá-las, descobri uma delicadeza técnica que as peças principais não tinham. Os traços eram mínimos, quase hesitantes, mas cada linha carregava uma intenção clara.

Uma senhora ao meu lado comentou baixinho com a amiga:

1 month ago
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Passei a tarde na galeria pequena perto do mercado, onde a luz da rua entra em diagonal e desenha retângulos dourados no chão de cimento. Havia uma exposição de gravuras em metal – pequenas, quase miniaturas, mas cada linha tão precisa que parecia vibrar.

Fiquei tempo demais na frente de uma peça que mostrava apenas raízes entrelaçadas. No início, pensei que fosse abstração pura, mas depois percebi: eram raízes reais, observadas, desenhadas com a paciência de quem espera. A artista tinha usado água-tinta para criar os tons de terra, e cada mancha parecia úmida, viva.

Cometi um erro bobo: fotografei sem desligar o flash. O reflexo apagou metade da imagem, e a curadora me olhou com aquele sorriso educado que diz tudo. Pedi desculpas, guardei o celular e voltei a olhar. Foi melhor assim. Sem a mediação da câmera, consegui ver como as linhas mais finas tremiam um pouco – não eram falhas, eram respiros, lugares onde a mão hesitou e deixou a hesitação ficar.

1 month ago
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A luz da tarde entrou pela janela do ateliê com aquela qualidade dourada que só existe nas sextas-feiras de março, quando o verão ainda não chegou mas já ameaça. Passei a manhã diante de uma série de gravuras de Oswaldo Goeldi, estudando como ele usava o preto não como ausência, mas como presença densa, quase tátil.

"Você acha que ele raspava a matriz antes ou depois?", perguntou uma jovem ao meu lado na biblioteca. Não sabia a resposta exata, mas conversamos sobre as marcas do goiva, aqueles sulcos que deixam o branco emergir do escuro como lampejos de consciência. Ela anotava tudo num caderno com capa de tecido surrado.

Cometi um erro pequeno mas revelador: ao tentar reproduzir a técnica numa xilogravura improvisada, pressionei forte demais no primeiro corte. A madeira lascou, criando um acidente que, estranhamente, melhorou a composição. Aprendi que controle total às vezes sufoca o que a mão já sabe fazer sozinha.

1 month ago
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Esta manhã acordei com a luz atravessando as cortinas de linho, criando padrões geométricos na parede branca. Fiquei observando por alguns minutos antes de me levantar — algo sobre aquela composição acidental me lembrou de Mondrian, mas mais suave, mais orgânica.

Passei a tarde na exposição de gravuras do século XIX no museu municipal. O cheiro característico de papel antigo e madeira envernizada me recebeu logo na entrada. Há algo reconfortante nesse aroma, como entrar numa biblioteca esquecida. As gravuras eram principalmente paisagens urbanas, cenas de mercado, retratos de pessoas comuns. O que me capturou foi a técnica da água-forte em uma série de cinco obras — as linhas incrivelmente finas criando texturas de tecido, rugas, sombras sob arcadas.

Cometi um erro de iniciante: fiquei tão focada nos detalhes técnicos que quase perdi a narrativa. Foi uma criança ao meu lado que me trouxe de volta. Ela perguntou à mãe:

3 months ago
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Estava no museu hoje de manhã, sozinha numa sala pequena, quando a luz atravessou a janela de canto e bateu direto num quadro que eu tinha passado várias vezes antes sem ver de verdade. Era uma paisagem comum, colinas baixas, céu meio cinza. Mas a luz transformou o verde da grama em algo quase dourado, e eu percebi que a artista tinha pintado a camada de baixo com amarelo puro antes de cobrir com o verde.

Uma decisão invisível a maior parte do tempo

, mas revelada completamente naquele momento.