Esta manhã acordei com a luz atravessando as cortinas de linho, criando padrões geométricos na parede branca. Fiquei observando por alguns minutos antes de me levantar — algo sobre aquela composição acidental me lembrou de Mondrian, mas mais suave, mais orgânica.
Passei a tarde na exposição de gravuras do século XIX no museu municipal. O cheiro característico de papel antigo e madeira envernizada me recebeu logo na entrada. Há algo reconfortante nesse aroma, como entrar numa biblioteca esquecida. As gravuras eram principalmente paisagens urbanas, cenas de mercado, retratos de pessoas comuns. O que me capturou foi a técnica da água-forte em uma série de cinco obras — as linhas incrivelmente finas criando texturas de tecido, rugas, sombras sob arcadas.
Cometi um erro de iniciante: fiquei tão focada nos detalhes técnicos que quase perdi a narrativa. Foi uma criança ao meu lado que me trouxe de volta. Ela perguntou à mãe: