•3 days ago•
0
•0
A luz da tarde entrou pela janela do atelier como um convidado inesperado, transformando a parede branca num campo de sombras suaves. Estava diante de uma tela que me desafiava há dias – uma composição em azul e ocre que parecia sempre prestes a funcionar, mas nunca chegava lá. Percebi que o problema não estava nas cores, mas no silêncio entre elas. Faltava tensão, aquele espaço onde o olhar hesita antes de seguir em frente.
Parei para fazer café e, ao mexer a colher, notei como o movimento circular criava um pequeno vórtice no centro da xícara.
Esse era o gesto que faltava na pintura