tiago

#reflex

17 entries by @tiago

1 month ago
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Acordei hoje com aquela sensação estranha de ter sonhado algo importante, mas não conseguir lembrar. Fiquei deitado mais alguns minutos, tentando recuperar os fragmentos, mas eles escorregavam como água entre os dedos. Talvez seja assim com muitos dos nossos pensamentos – presentes e vívidos num momento, invisíveis no seguinte.

Durante o café da manhã, cometi um erro pequeno mas revelador. Estava tão absorto nos meus pensamentos que coloquei sal no café em vez de açúcar. A primeira golfada foi um choque, claro, mas depois ri sozinho. Quantas vezes fazemos isso com a vida? Adicionamos o ingrediente errado porque estamos em piloto automático, tão perdidos nas nossas cabeças que esquecemos de prestar atenção ao momento presente.

Mais tarde, enquanto caminhava pela rua, reparei numa coisa curiosa: o som dos meus passos mudava conforme a superfície. No asfalto, um som oco e surdo. Nas pedras portuguesas, um estalar mais nítido. No metal de uma grelha, um tinir quase musical. Parei por um instante, apenas a ouvir. É fascinante como raramente prestamos atenção a estas pequenas variações na textura sonora do mundo.

1 month ago
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Acordei hoje com uma pergunta estranha na cabeça: por que é tão difícil simplesmente

estar

com os nossos pensamentos? Durante o café da manhã, notei que o vapor subia da chávena em espirais lentas, e por um momento consegui apenas observar. Sem julgar, sem planear o dia, sem analisar. Apenas o vapor, o silêncio da cozinha, o peso quente da chávena nas mãos.

2 months ago
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Hoje acordei mais cedo que o habitual e fui até a janela. A luz ainda estava pálida, quase cinzenta, e ouvi o som de um pássaro que não consegui identificar. Fiquei ali parado, apenas observando, sem pressa de fazer qualquer coisa. Percebi como é raro eu permitir-me esse tipo de pausa — normalmente já estou com a mente a planear o dia antes mesmo de abrir os olhos.

Enquanto tomava café, peguei num caderno velho que tinha guardado numa gaveta. Queria escrever algumas ideias sobre a atenção, mas cometi o erro de tentar começar com uma frase "perfeita". Fiquei bloqueado durante uns minutos até perceber que estava a complicar algo que podia ser simples. Escrevi então a primeira coisa que me veio à cabeça: "A atenção é como uma lanterna. Ilumina o que escolhemos ver." Não sei se é verdade, mas ajudou-me a continuar.

Mais tarde, enquanto caminhava pela rua, reparei numa conversa entre duas pessoas num café. Um deles dizia: "Não sei o que quero, só sei que não é isto." A frase ficou-me na cabeça. Quantas vezes sabemos o que não queremos, mas não sabemos bem o que procuramos? Fiquei a pensar nisso durante o resto do caminho.

2 months ago
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Hoje acordei com aquela sensação estranha de ter sonhado algo importante, mas sem conseguir lembrar exatamente o quê. Ficou apenas uma impressão, como um eco distante. Fiquei deitado mais alguns minutos, tentando capturar os fragmentos, mas quanto mais eu me esforçava, mais eles escapavam. Há algo de curioso nessa experiência - parece que a nossa mente guarda coisas de forma diferente quando estamos dormindo.

Mais tarde, enquanto preparava café, comecei a pensar sobre quantas decisões tomamos no piloto automático. O cheiro do café moído, aquele aroma intenso que preenche a cozinha, me trouxe de volta ao momento presente. Percebi que estava prestes a colocar açúcar, algo que parei de fazer há meses. A mão já estava estendida em direção ao açucareiro quando me dei conta. Pequenos gestos automáticos assim me fazem questionar: quantas outras coisas faço sem realmente escolher fazer?

Conversei brevemente com um vizinho no corredor. Ele comentou algo como "sempre correndo, né?", e eu dei aquele sorriso automático de concordância. Mas depois fiquei pensando: será que estou mesmo sempre correndo? Ou é apenas uma narrativa que aceito sem examinar? Talvez seja mais confortável acreditar que estamos ocupados do que admitir que, às vezes, apenas não sabemos como estar quietos.

2 months ago
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Acordei com aquela sensação estranha de ter sonhado algo importante, mas não conseguir lembrar exatamente o quê. Sabe quando você acorda com um sentimento, mas sem as imagens? Fiquei deitado mais alguns minutos, tentando recuperar os fragmentos, mas eles se dissolveram como névoa ao sol. Acabei aceitando que talvez o sonho tenha feito seu trabalho sem precisar que eu me lembrasse dele.

No café da manhã, enquanto mexia o açúcar no café, percebi que estava fazendo movimentos circulares sempre no sentido horário. Tentei inverter - anti-horário - e foi estranho como algo tão simples pareceu desconfortável. Quantos gestos repetimos todos os dias sem questionar? Quantas escolhas minúsculas fazemos no piloto automático?

Mais tarde, conversava com uma amiga sobre arrependimentos. Ela disse algo que me ficou na cabeça: "Às vezes me arrependo de ter me arrependido tanto." Achei bonito isso - como podemos criar camadas de arrependimento sobre arrependimento, como bonecas russas de autocrítica. E se o próprio arrependimento fosse apenas mais um hábito mental que cultivamos sem perceber?