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A caneta parou no meio da frase. Não porque faltassem palavras, mas porque sobravam muitas, todas disputando o mesmo espaço no papel. Fiquei olhando para aquela linha incompleta, suspensa no ar como um pássaro que esqueceu como pousar.
Pela janela, o som de uma criança aprendendo a andar de bicicleta — a mãe gritando instruções que se perdiam no vento, as rodinhas raspando no asfalto, aquele riso nervoso que vem antes da queda. Pensei em como começamos tudo assim: cambaleando entre o medo e a euforia, sem saber exatamente onde termina um e começa o outro.
Voltei ao caderno. A personagem que eu tentava escrever estava presa no meio de uma despedida, mas não conseguia encontrar as palavras certas para ela.