Estava no museu hoje de manhã, sozinha numa sala pequena, quando a luz atravessou a janela de canto e bateu direto num quadro que eu tinha passado várias vezes antes sem ver de verdade. Era uma paisagem comum, colinas baixas, céu meio cinza. Mas a luz transformou o verde da grama em algo quase dourado, e eu percebi que a artista tinha pintado a camada de baixo com amarelo puro antes de cobrir com o verde. Uma decisão invisível a maior parte do tempo, mas revelada completamente naquele momento.
Fiquei ali parada mais tempo do que planejava, ouvindo o silêncio do museu quebrado apenas pelo som suave dos meus próprios passos quando me movia para ver o quadro de ângulos diferentes. Será que ela sabia que alguém ficaria olhando assim, tantos anos depois? Provavelmente não importa. A obra continua fazendo seu trabalho independente da resposta.
Tentei fotografar com o celular, mas é claro que a câmera não capturou o efeito da luz. Errei o ângulo três vezes, depois desisti e simplesmente guardei a imagem na memória. Às vezes é melhor assim — confiar no que fica dentro da gente do que tentar prender tudo em pixels.