Às quatro e meia da manhã, Ângela pediu um café sem açúcar e sentou na mesa do fundo, de costas para a rua.
A padaria tinha um cheiro de pão ainda não assado — farinha, fermento, a promessa de algo que ainda não era. O ventilador de teto girava devagar, como se também estivesse acordando. Em algum lugar nos fundos, alguém empurrava uma bandeja de metal; o som chegava abafado, quase gentil.
Ela colocou o envelope sobre a mesa mas não o abriu. Já sabia o que havia dentro: a chave do apartamento da Rua dos Andradas, onde tinha morado sete anos. A imobiliária pedira até as oito.