Acordei hoje com aquela sensação estranha de ter sonhado algo importante, mas não conseguir lembrar exatamente o quê. Apenas ficou uma impressão, como o cheiro de café que persiste no ar mesmo depois de a xícara estar vazia. Passei os primeiros minutos da manhã tentando recuperar os fragmentos, mas quanto mais eu perseguia, mais eles se dissolviam.
Fui caminhar sem destino certo. O sol ainda estava baixo, e a luz filtrava entre as árvores de um jeito que transformava tudo em tons dourados. Reparei numa coisa curiosa: tentei andar prestando atenção apenas aos sons – pássaros, o vento nas folhas, passos distantes. Consegui por talvez dois minutos antes de a mente começar a divagar novamente, planejando o dia, relembrando conversas antigas. É fascinante como é difícil estar presente mesmo quando decidimos conscientemente tentar.
No meio da caminhada, uma pergunta me surgiu: quanto do que chamo de "meus pensamentos" realmente escolhi pensar? A maior parte parece simplesmente aparecer, como nuvens no céu da consciência. Fico observando essa dança entre o que surge espontaneamente e o que direciono com intenção. Às vezes me pego julgando pensamentos como "bons" ou "ruins", mas hoje tentei apenas notar: