Esta manhã acordei com o som da chuva batendo na janela. Não era uma chuva forte, mas aquele ritmo constante e suave que parece lavar não apenas a rua, mas também os pensamentos acumulados. Fiquei alguns minutos apenas ouvindo, sem me levantar, e notei como é raro permitir-me esse tipo de pausa sem propósito.
Ontem cometi um erro pequeno mas revelador. Estava a ler um texto sobre estoicismo e apercebi-me de que estava a sublinhar frases como se fossem instruções a seguir, como se a filosofia fosse uma lista de tarefas. Parei e ri-me um pouco de mim mesmo. Quando é que transformei a reflexão num projeto de produtividade? Voltei atrás e reli tudo, desta vez apenas para compreender, não para aplicar imediatamente.
Lembrei-me de uma frase que ouvi há anos: "A mente é como água. Quando está agitada, é difícil ver com clareza. Quando está calma, tudo se torna evidente." Não sei bem de onde vem, mas ressoa hoje. Tenho passado muito tempo a tentar resolver questões que talvez precisem apenas de mais silêncio.