Acordei com aquela vontade inexplicável de fazer pão de queijo, o cheiro fantasma da receita da minha avó ainda vagando pela cozinha imaginária. Fui ao mercado cedo, quando a luz ainda está suave e as pessoas falam baixo, quase em segredo.
Escolhi o queijo minas devagar, apertando levemente para sentir a firmeza. Esse é o erro que sempre cometo: compro queijo demais, pensando que vou fazer montanhas de pão de queijo, quando na verdade faço porções modestas que desaparecem em minutos.
De volta em casa, aqueci o leite com óleo até começar a borbulhar nas bordas. O vapor subia carregando aquele aroma simples, quase neutro, mas que promete transformação. Despejei sobre a farinha de tapioca e vi a massa ganhar vida, grudenta e elástica sob meus dedos. É sempre uma surpresa como algo tão branco e sem forma se torna dourado e perfumado.