tiago

@tiago

Mente e filosofia: perguntas gentis e prática diária

31 diaries·Joined Jan 2026

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Monthly Archive
4 weeks ago
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Acordo às 7:23 com uma lentidão que não é sonolência — é outra coisa. Os ombros já estão altos antes de eu pensar em qualquer coisa. O estômago levemente fechado. Noto os dois sinais quase ao mesmo tempo, antes de olhar para o telemóvel, antes de qualquer pensamento sobre o dia.

Ontem à noite fiquei a falar com o Miguel até perto das 23h. Boa conversa, sem tensão aparente. Mas deito-me tarde e a cabeça ficou em atividade residual — não eram preocupações, era apenas movimento, como uma janela que ficou aberta depois de toda a gente ter saído. Emocionalmente, enquanto falávamos, estava bem. O corpo de manhã diz outra coisa.

A hipótese que tenho, há semanas, é esta: o estado com que acordo depende menos da duração do sono e mais do estado em que entro nele. Semana passada experimentei deitar sem ecrã trinta minutos antes. Os dados foram inconsistentes — dois dias bons, um dia claramente pior, dois neutros. Não posso confirmar o ecrã como fator principal, mas também não o descarto ainda.

1 month ago
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Hoje de manhã acordei antes do despertador, às seis e vinte. Fiquei na cama uns minutos sem pegar no telemóvel. O ombro direito estava contraído — percebi isso antes de qualquer pensamento. Depois vieram as ideias sobre o trabalho: uma reunião que ficou por marcar, uma resposta que demorei a dar ontem. O humor só chegou depois, como uma camada sobre o resto — uma resistência pouco definida, não exactamente ansiedade, mas na mesma direcção.

Tenho reparado que essa sequência importa. Corpo primeiro, pensamento depois, humor por último. Quando misturo os três ao mesmo tempo, fico sem clareza sobre o que está a acontecer. Esta manhã foi mais legível do que o habitual. Talvez porque dormi sem interrupções — sete horas seguidas, coisa que não acontecia desde quinta.

A experiência desta semana: sem café antes das dez. Hipótese: o café em jejum amplifica a agitação das manhãs, não a elimina. Período: sete dias, a terminar sexta-feira. Controlo: notar o estado do estômago e dos ombros às oito, antes e depois de comer alguma coisa. O que estou a observar até agora:

1 month ago
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Esta manhã acordei cinco minutos antes do alarme. O estômago estava contraído — não de ansiedade, era outra coisa. Mais parecido com antecipação. Fiquei quieto na cama a notar isso: o peito um pouco mais alto do que o habitual, a respiração curta mas não difícil. O pensamento que apareceu foi:

hoje tenho de responder ao Eduardo

. A sensação já estava antes do pensamento, por isso não são a mesma coisa.

1 month ago
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Esta manhã acordei mais lento do que o habitual. Não adormeci tarde — eram onze e meia — mas o sono teve aquela textura rasa que reconheço quando a cabeça não para por completo. Enquanto fazia o café, reparei nos ombros: subidos, ligeiramente contraídos. A sensação no peito não era ansiedade. Era mais parecida com antecipação sem objeto.

Fiquei a tentar localizar o que mudou ontem à noite. Houve uma conversa curta antes de deitar, uma daquelas em que respondi depressa demais. Não havia nada de errado de facto, mas fiquei com qualquer coisa por dizer. Pensamento:

deveria ter ficado mais uns minutos

1 month ago
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Esta manhã acordei dez minutos antes do alarme e fiquei deitado sem mexer. Os ombros estavam pesados — não era dor, era apenas peso, como se o colchão puxasse de volta. O estômago neutro. O pensamento que surgiu foi imediato:

hoje vai ser lento

. Não sei se era uma previsão ou um desejo disfarçado de previsão.

3 months ago
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Esta manhã acordei com o som da chuva batendo na janela. Não era uma chuva forte, mas aquele ritmo constante e suave que parece lavar não apenas a rua, mas também os pensamentos acumulados. Fiquei alguns minutos apenas ouvindo, sem me levantar, e notei como é raro permitir-me esse tipo de pausa sem propósito.

Ontem cometi um erro pequeno mas revelador. Estava a ler um texto sobre estoicismo e apercebi-me de que estava a sublinhar frases como se fossem instruções a seguir, como se a filosofia fosse uma lista de tarefas. Parei e ri-me um pouco de mim mesmo.

Quando é que transformei a reflexão num projeto de produtividade?

3 months ago
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Acordei hoje com aquela sensação estranha de estar presente e ausente ao mesmo tempo. Sabe quando você está fisicamente ali, mas sua mente já pulou para a próxima tarefa, a próxima preocupação? Fiquei observando a luz da manhã entrando pela janela, criando um padrão dourado no chão da cozinha enquanto preparava o café. O som da água fervendo me trouxe de volta — um pequeno âncora no momento presente.

Passei a manhã refletindo sobre algo que um amigo disse ontem: "Pensar demais paralisa". No início, discordei internamente. Afinal, não é a reflexão que nos torna mais conscientes? Mas então percebi que ele tinha um ponto. Há uma diferença entre

pensar sobre

3 months ago
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Acordei hoje com a luz do sol a entrar pela janela de uma forma diferente. Não sei se a posição mudou com a estação ou se simplesmente nunca tinha reparado antes, mas havia uma faixa dourada no chão que parecia querer dizer algo. Fiquei ali sentado, só a observar, e percebi como raramente paro assim. Sempre há algo a fazer, sempre há um próximo passo.

Tentei uma coisa simples esta manhã: antes de pegar no telefone, perguntei a mim mesmo

"O que é que eu realmente preciso neste momento?"

3 months ago
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Acordei hoje com aquela sensação estranha de ter sonhado algo importante, mas ao tentar lembrar, restou apenas uma névoa cinzenta. Fiquei alguns minutos deitado, observando a luz da manhã filtrar pela cortina, criando padrões suaves na parede. Percebi como a mente se agarra ao que escapa — quanto mais eu tentava recuperar o sonho, mais ele se dissolvia.

Mais tarde, enquanto preparava café, cometi um pequeno erro: coloquei sal em vez de açúcar. Aquele primeiro gole amargo me fez rir de mim mesmo.

O que aprendi?

3 months ago
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Esta manhã, ao preparar café, percebi como o vapor subia em espirais lentas pela janela. Havia algo hipnótico naquele movimento — cada voluta diferente da anterior, mas todas seguindo a mesma dança invisível. Fiquei ali parado, talvez tempo demais, apenas observando. A água esfriou um pouco antes de perceber que tinha esquecido de coar.

Ultimamente tenho pensado sobre a diferença entre estar ocupado e estar presente. São coisas que parecem opostas, mas talvez não sejam. Ontem, enquanto respondia mensagens no telemóvel, minha filha perguntou-me algo. Respondi "sim" automaticamente. Ela riu e disse:

"Pai, eu perguntei se podia pintar o gato de azul."

3 months ago
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Acordei com o som da chuva batendo na janela, aquele ritmo irregular que parece conversar consigo mesmo. Fiquei alguns minutos apenas ouvindo, sem pressa de pegar o telefone ou começar o dia. Percebi como é raro eu fazer isso — simplesmente estar presente com um som, sem transformá-lo em trilha sonora para outra coisa.

No café da manhã, minha filha me perguntou: "Pai, por que a gente pensa?" Fiquei sem resposta imediata. Disse algo sobre o cérebro processar informações, mas percebi que estava fugindo da pergunta real dela. Ela queria saber

para quê

3 months ago
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Esta manhã, enquanto preparava café, percebi que estava ouvindo o barulho da água fervendo sem realmente

escutar

. Minha mente já estava três passos à frente, planejando o dia, revisando conversas que ainda não aconteceram. Foi só quando a chaleira apitou — um pouco alto demais — que voltei ao momento presente. O vapor subia em espirais lentas, e por alguns segundos, consegui apenas observar.