Ontem à noite fiquei a ler mais uma hora do que pretendia. Nada grave — um ensaio sobre atenção que foi puxando —, mas acordei esta manhã com os olhos pesados e uma ligeira tensão na parte de trás do pescoço.
O pensamento foi imediato: hoje vai ser um dia difícil. Fiz uma pausa ali. A tensão é real. O pensamento é uma previsão, não um facto. A sensação — uma espécie de lassidão, uma resistência difusa a começar — é outra coisa, distinta das duas primeiras. Confundi-as durante muito tempo.
Há três semanas que estou a registar a correlação entre a hora a que adormeço e o humor da manhã seguinte. A hipótese inicial era simples: dormir depois da meia-noite piora o início do dia. O que estou a observar é mais matizado — o que parece importar mais não é a hora de dormir, mas se houve uma transição calma antes. Luz baixa, ecrã desligado pelo menos vinte minutos. Esta semana testei o inverso: fui para a cama mais cedo mas com o telemóvel na mão até quase adormecer. O resultado desta manhã sugere que a hora pode ser secundária.